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Teresópolis, 3 de setembro de 2010 FALE CONOSCO BUSCA:
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A real situação de Teresópolis
- Apesar do crescimento de alguns índices de qualidade de vida, Educação, Saúde e Habitação ainda preocupam o teresopolitano

Da Redação

Recentemente, a população de Teresópolis ganhou um grande aliado na luta pela transparência nos índices de qualidade de vida e desenvolvimento no município, o movimento Nossa Teresópolis. Uma das principais propostas da entidade é expor, através de trabalhos científicos, como a cidade está se portando diante dos desafios do progresso e crescimento.

Felizmente já é passado o tempo em que as análises da cidade eram baseadas apenas na percepção ou “achismo” de cada cidadão. Agora é a ciência que indica a real qualidade de vida da população. Não que tais dados tenham surgido como em um passe de mágica, na verdade eles sempre existiram, mas nunca houve interesse em divulgá-los, e é exatamente esse raio-X da cidade que o Movimento Nossa Teresópolis faz questão de mostrar, tendo como parâmetro 20 municípios do Estado com população variante entre 50 e 150 mil habitantes e buscando informações concretas nos institutos de pesquisa de maior credibilidade do País.

A cidade que se descortina por detrás desta nova realidade não é, nem de longe, a Teresópolis que a população deseja e merece ter. Ao primeiro olhar desatento pode-se dizer que, em alguns aspectos, os indicadores de qualidade de vida da população estão na média do Estado, da região e até do País. Porém, ao debruçar sobre as informações, percebe-se que ainda há muito por fazer.

Três aspectos de nossa sociedade, Educação, Saúde e Habitação, se apresentam neste momento como urgentes e carentes de boas soluções. Mais que expor o que está errado, a divulgação dos dados tem como premissa a busca por alternativas aos problemas e não simplesmente a crítica a administração.



- Educação

Segundo dados da secretaria municipal de educação, em Teresópolis não existem crianças em idade escolar fora das salas de aula. No entanto, quando colocamos uma lupa sobre o tema percebemos que o resultado não é tão animador quanto parece e apesar da melhora significante nos últimos quatro anos, ainda requer esforço e empenho das autoridades competentes.

Apesar de o índice de analfabetismo estar em declínio em todo país, graças aos programas de incentivo e às políticas educacionais que se estendem pelos municípios, um dado discrepante ainda persiste. O alto índice de analfabetos funcionais.

Eles sabem ler, mas não compreender. Reconhecem números, mas não conseguem passar das operações básicas. São os analfabetos funcionais, conceito criado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para referir-se a pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever algo simples, não tem as habilidades necessárias para viabilizar o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Embora o número de pessoas que se encaixassem neste perfil chegasse a casa dos 28 % em 1970 e tenha sido reduzido a 11% em 2000, a cidade ainda tem neste indicador um dado negativo, se comparado aos 7% de Petrópolis. Estes valores se tornam ainda mais graves se o comparativo for feito com Niterói, que tem 3,60% de analfabetos funcionais com mais de 15 anos.



- Saúde

Acompanhando uma tendência mundial de tentativa de aprimoramento do sistema de saúde, o Brasil luta há décadas contra a falta de vontade política, os desmandos e a falta de responsabilidade de alguns governantes para garantir um serviço de saúde de respeito e que atenda as demandas. Mas são muitos os desafios e recentemente obtivemos exemplos claros de como bons projetos e iniciativas bem intencionadas podem ser utilizadas por administradores públicos como mais uma forma de enriquecimento ilícito.

Na área de Saúde o município carece de tratamentos intensivos e alguns de nossos maiores desafios são os índices de Mortalidade Infantil, a cobertura do Programa de Saúde da Família, a assistência Pré-natal e o gasto Público Per Capita em Saúde. Como a tônica do movimento é utilizar estes índices para conscientizar a população e o Poder Público que algo precisa ser feito, alguns estes indicadores são importantes de serem divulgados.

Como por exemplo, a porcentagem da população coberta pelo sistema de saúde, com dados do Ministério da Saúde, com base no ano de 2006. Nela, Teresópolis aparece com apenas 34%, muito pouco se compararmos com Três Rios, com 75% e Rezende com 45%.

Nos óbitos com menos de 1 ano por 1000 nascidos vivos, a cidade de Rio Bonito, apresenta o índice de 7%, Angra dos Reis 10% e Teresópolis 14,9%. Na Assistência Pré-Natal, no período que compreende 2000 a 2005, a porcentagem de nascidos vivos de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal em Barra Mansa, o município que apresenta o melhor desempenho do Estado este índice é de 85% e Macaé 82%, enquanto que Teresópolis aparece bem atrás com 54%.



- Habitação

Talvez o nosso problema mais urgente seja a questão habitacional, não pela falta, como na maioria do país e quem sabe do mundo, mas pela ausência de estruturas básicas nas construções existentes. Realidade que é traduzida em índices oficiais a cada ano que os institutos de pesquisa debruçam seus profissionais em nossa realidade. Em termos mais claros, o problema não é a falta de casa, mas sim a qualidade daquelas que existem ou estão sendo construídas.

De acordo com dados do IBGE e da Fundação CIDE, o déficit habitacional em Teresópolis é até reduzido em relação a municípios vizinhos, como Três Rios, Petrópolis e Cabo Frio. Os nossos 5% de déficit na habitação são até baixos se comparados com os 10,25% da cidade de Três Rios, os 6% de Petrópolis e os 7% de Cabo Frio, mas a qualidade destas habitações é que tem preocupado os especialistas na área.

A porcentagem de moradias sem água ou luz ou coleta de lixo ou instalações sanitárias adequadas em Teresópolis é de 37% perdendo apenas para o município de Rio das Ostras com 42%. Ao compararmos este índice com os números do Estado e da Região Serrana, a situação ainda é mais preocupante. No Estado do Rio de Janeiro, este índice é de 16% e na Região Serrana de 28%.

A população residente em favelas, de acordo com dados do Atlas de Desenvolvimento Humano – PNUD / IPEA / FJP, está entre os grandes problemas que a cidade de Teresópolis enfrenta em seu processo de crescimento. Em números a situação é ainda pior. Nossa cidade perde apenas para o município de Rio das Ostras que registra 44% da população neste tipo de rede de convívio. Teresópolis apresenta o preocupante índice de 26% de habitantes em favelas, se comparado com os 19% da capital Rio de Janeiro podemos ter um parâmetro da extensão do problema.

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