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Colunistas» Ricardo dos Anjos
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22/10/2008  

ADVOGADA EM CENA

São iguais, em todo o Mundo, os defensores de criminosos, sejam psicopatas ou não, coonestados ou não pelas organizações dos Direitos Humanos, sempre em detrimento das vítimas.

Vejam só a intervenção da advogada Ana Lúcia Assad no caso do seqüestro das jovens Nayara e Eloá, com o assassinato desta última, ex-namorada do homicida Lindemberg.

Ela disse que seu mais novo cliente fez os tais disparos que atingiu as duas moças “após a explosão da porta” que proporcionou a ação da polícia. O que, na opinião deste escriba, não o exime da culpa.

Disse também que pretende examinar o auto de prisão em flagrante para depois pedir que ele responda ao processo em liberdade. “Ele é primário, tem bons antecedentes, tem emprego”, justificou.



TADINHO

Ainda segundo a advogada, Lindemberg fez uma declaração em que diz não ter premeditado nada, e que seu maior temor é pela própria integridade física.

Ana Lúcia Assad revelou que o prisioneiro não tem se alimentado, estaria muito abalado, arrependido, preocupado com Eloá, porque ele não foi informado que a garota morrera. (Pelo menos até a última terça-feira, dia em que fechava esta coluna, o criminoso não sabia do trágico desfecho.)

Enfim, uma tragédia shakespeareana tipo Otelo, o mouro paranóico e ultraciumento assassino de Desdêmona, sua esposa. Guardando-se as diferenças da ação e cenário, que se deu em Santo André e não em Veneza.

No final, Otelo se mata. Já Lindemberg está isolado numa cela segura da Penitenciária 2 de Tremembé, a 147km de São Paulo, justamente para que não ouse acabar com a própria vida.



REFLEXÃO

Faço minhas as palavras (trechos) da escritora Sônia van Dijck sobre a tragédia de Santo André:

“(...) espanta-me o viés vicioso da sociedade brasileira, cuja voz se traduz na imprensa e nas emissoras de TV. Desde que, no fim do dia 17, o desfecho trágico previsível foi conhecido, toda a imprensa passou a dedicar tempo para acusar e discutir se a polícia podia ou não permitir que a menina Nayara voltasse ao apartamento; se a polícia invadiu na hora certa o apartamento; se os disparos aconteceram ou não antes de a polícia explodir a porta e invadir o apartamento; se a polícia deveria ou não ter colocado drogas capazes de dopar o criminoso; se a polícia deveria ou não ter alvejado o criminoso.

“É possível que a imprensa e as TVs estejam apenas sendo fiéis à voz das ruas (opinião pública). Como sempre, não se discute o ato criminoso e nem a culpa do bandido – apesar de ser obrigação de todos o andar conforme a Lei.

“A discussão foi, comodamente, desviada para a periferia do crime publicamente praticado: um macho que não aceitou ser rejeitado pela namorada resolveu impor seu direito de vida e morte sobre a mulher que lhe disse ‘não’.

“No Brasil não se discute e não se apura o crime. A regra é discutir e instaurar inquérito para apurar se o delegado agiu certo, se os policiais abusaram do poder. Por isso, Dantas e outros criminosos estão impunes.

“Somos especialistas em investigar operações policiais; jamais nos interessam o crime cometido e os criminosos.

“É mais cômodo para a sociedade machista ficar discutindo, via imprensa e TVs, se a polícia errou ou acertou nessa ou naquela decisão, do que tratar da questão central: tem o macho direito de ser proprietário da vida da fêmea desejada, em se tratando da sociedade dos seres humanos (...)?

“Lindemberg teve cerca de 100 horas para refletir e decidir - e o macho recusado decidiu matar a mulher que não o queria. Ele premeditou mesmo eliminar Eloá.

“Ou a sociedade discute o direito de vida e morte do macho sobre a mulher ou continuaremos a ter casos de ex-namoradas, ex-noivas, ex-amantes, ex-esposas assassinadas por machos que não sabem ser Homens. Maria da Penha sobreviveu, na cadeira de rodas, para ser testemunha e símbolo da violência da sociedade machista.

“(...) posso supor a dor da mãe de Eloá e a angústia da mãe de Nayara. Quase que consigo sentir o desespero da mãe do criminoso Lindemberg - perdeu o filho duas vezes: 1) será julgado, condenado e ficará preso; 2) descobriu que faz 22 anos que pariu um monstro sem saber.

“A mãe de Nayara terá o orgulho da coragem e da solidariedade da filha. A mãe de Eloá terá o consolo do pranto. A mãe de Lindemberg terá o desespero de ser sua mãe”.



PONTO FINAL

Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, numa atitude cristã para muitos incompreensível, declarou que perdoa Lindemberg e isenta de qualquer culpa a Polícia pela tragédia. Mas espera que a justiça seja feita.

 

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