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O entusiasmo.
Esdras é um amigo que me disse em certa ocasião que “há dias que não sente a mínima vontade de levantar-se da cama e começar um novo dia. Muitas vezes, diz ele, sinto uma grande vontade de permanecer em casa, sem nenhum compromisso com nada, sem nenhuma obrigação de fazer qualquer coisa, sequer de ir para janela ver a banda passar. Que passe a banda ou que não passe a banda, pouco me importa, pouco se me dá. Quero ficar só, não quero ouvir ninguém, não quero receber ordem de ninguém, não quero dar ordem a ninguém, não quero fazer o que devo fazer, nem fazer o que não devo, quero simplesmente ser eu mesmo, sair por aí sem compromisso, sem deveres nem obrigações, sem metas ou objetivos, vivendo apenas cada minuto, cada hora, do jeito que eu quiser, agrade ou não as pessoas. Quero liberdade, quero quebrar todos os grilhões e viver livre, leve e solto. Quero comer ovos, quero comer sanduíches do tipo “X tudo”, quero comer presunto, lingüiça calabresa, pão com muita manteiga, beber coca-cola, cachaça, whisky, caipirinha, cerveja, comer churrasco todos os dias, não quero saber de exercícios – às favas com a academia - quero fumar, quero calças largas, suspensórios que não apertem a cintura, sapatos velhos, andar descalço, não cuidar mais do meu chulé, não usar mais desodorante e nem perfume”. Quero liberdade! Quero me livrar de todos os “não posso”, de todos os “politicamente corretos”, quero ficar 10 horas na Internet, quero chutar o pau da barraca e, para completar, incendiar a barraca, sem medo de represálias. É só isso que eu quero”, concluiu ele.
Acho que Esdras precisa de um psicólogo, talvez mesmo de um psiquiatra. O seu caso é o mais grave que eu conheço de falta de entusiasmo (e anarquismo). Aliás, este artigo não se destina a pessoas que atingiram tal estágio de desânimo. Queremos falar as pessoas mais ou menos normais, que vivem desanimadas, sem entusiasmo.
“Sem entusiasmo não se consegue sequer chupar um picolé com dignidade”, já dizia o grande teatrólogo Nelson Rodrigues. Realmente, mesmo quando se sabe e quando se quer, pouco se consegue se não houver entusiasmo. Todos nós temos certo potencial para determinadas tarefas; que pode ser amplo, mediano ou pequeno. O que vai determinar a sua real possibilidade de alcançar seu objetivo, seja ele qual for, é a medida de entusiasmo que você for capaz de acrescentar a ele. Um entusiasmo estático, adormecido, ignorado, é um entusiasmo potencial que não existe efetivamente. Uma força não utilizada vai enfraquecendo, definhando com o tempo até deixar de ser força, até desaparecer por desuso, por falta de exercício. Em alguns casos pode chegar a um estágio doentio. Este é o caso deste meu amigo.
É comum ouvirmos pessoas dizendo que não sabem como agir para ficarem entusiasmadas. Aparentemente é difícil sair de um estado de total desânimo para o de entusiasmo. As pessoas acometidas desse mal não sabem verdadeiramente o que fazer para se libertar dessa escravidão, que pode ser momentânea, eventual e muitas vezes permanente. Conviver com uma pessoa completamente desanimada, que não tem vontade para coisa alguma, seja no que concerne ao trabalho, ao relacionamento com as pessoas, a um passeio, a uma empreitada, enfim, à própria vida, é bastante desalentador. E o desalento também é falta de entusiasmo, o que nos leva à conclusão de que este mal é contagioso. Do mesmo modo de que o entusiasmo é altamente contagioso. Repare que, em qualquer situação ou ambiente, se houver no meio de várias pessoas uma pessoa verdadeiramente entusiasmada, sua atuação será preponderante sobre as demais pessoas e todos ficarão entusiasmados. O ambiente se transformará de modo evidente e nos permitirá observar que, na maioria das vezes, juntamente com o entusiasmo, uma atmosfera de otimismo e bem estar logo se espalhará sobre o local, influenciando a todos.
Há, contudo, uma atitude quase mágica que pode mudar a falta de entusiasmo de um individuo de um momento para o outro. Se você é carente de entusiasmo, perceberá, ao longo da leitura deste artigo, que esta atitude pode transformar completamente a sua vida, da água para o vinho. Trata-se de algo tão simples que você, provavelmente, dirá, numa atitude de desdém, que “isto eu já sabia”. Tanto não sabia que você nunca a aplicou em sua vida. Se você a conhecesse, garanto que já a teria adotado.
“Do que se trata então? Deixe de subterfúgios e diga logo”, observa você. Muito simples: “Para ficar entusiasmado, basta agir com entusiasmo”. Nada tão simples e tão verdadeiro. Experimente agora, aí onde você está, não importa qual seja a situação ou o local. “Mas, eu estou num ônibus, ou numa igreja, ou numa reunião, ou em minha casa com meus familiares”, diria você. E daí? Vamos, comece agora, fale com entusiasmo, olhe ao seu redor com entusiasmo, cante com entusiasmo, converse com seus filhos e demais familiares com entusiasmo. Logo você perceberá que está entusiasmado, que você ficou entusiasmado, e, juntamente com o entusiasmo, virá infalivelmente o otimismo, a alegria.
O entusiasmo gera força e alegria e impulsiona para frente, mudando as situações e tornando a pessoa mais capaz e eficiente. Por exemplo, um jogador de futebol entusiasmado faz jogadas que não conseguiria fazer normalmente, tem um rendimento muito maior e melhor do que teria sem entusiasmo. Observe um bom time de futebol. Tem dias que nada dá certo, tudo sai errado. Até os seus melhores jogadores tem atuação ruim. Creia, isto ocorre na maioria das vezes, pela falta de entusiasmo. O entusiasmo gera otimismo, que gera mais capacidade de fazer, de realizar. Por isso vemos muitas vezes um time que vinha atuando muito mal, atuar muito bem após fazer um ou dois gols numa partida. Ou um jogador que vinha tendo uma péssima atuação, melhorar sensivelmente o seu jogo após um gol, feito muitas vezes até por acaso, num lance de sorte.
Portanto, comece a agir agora com entusiasmo, aí onde você está, do modo que você está, não importando as circunstâncias. “Mas... mas como?! Como fazer isso?”, indaga você. Vou repetir: Para ficar entusiasmado, basta agir com entusiasmo!
E lembre-se: Deus está no controle.
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